Começar a andar - Doutor das Crianças - Guia Médico

23 Fevereiro 2016
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é normal o umbigo de bebe cheirar dois dias depois d nascimento,rastreio doenças metabólicas dias.




Durante os primeiros meses, a alimentação, o sono e os cuidados com a higiene ocupam a maior parte da vida do bebé. Todavia, estes hábitos vão mudando progressivamente e, por volta do ano, tornam-se mais semelhantes aos do adulto. A partir do primeiro ano, o ritmo de crescimento é menor. Entre os doze e os vinte e quatro meses o bebé crescerá aproximadamente 12 cm e aumentará cerca de 2,5 kg.

A criança tem menos apetite e perde parte do tecido gordo, deixando de ser um bebé roliço para se tornar uma criança de figura estilizada e musculosa. O cérebro continua a crescer, embora mais devagar: enquanto nos primeiros doze meses o perímetro cefálico aumenta 12 cm, nos doze meses seguintes aumenta apenas 2 cm. Entre o primeiro e o segundo ano, nascem aproximadamente oito novos dentes.

Aos doze meses, o bebé já se põe em pé sozinho e dá alguns passos sem ajuda; aos dezoito meses corre e sabe subir escadas, degrau a degrau, com ajuda. Como já referi, ao completar o ano começa a movimentar-se sozinho, o que obriga a família a fazer algumas adaptações em casa, de modo a evitar situações de perigo. Se a criança não tiver um espaço específico para ela, será necessário adaptar toda a casa às suas necessidades, o que se toma um pouco incómodo para os restantes membros que terão que renunciar a um certo espaço e à mobilidade a que estavam habituados.

A criança de um ano é como um turbilhão que deseja percorrer todos os espaços e tocar em todas as coisas: necessita de descobrir o que a rodeia e para isso tentará tocar em tudo, mostrando a sua capacidade para andar e se desembaraçar. Nesta idade, só está quieta quando está a dormir, o que por vezes se torna bastante cansativo para os pais, principalmente para a mãe, se passa o dia todo com ela.

Convém, no entanto, recordar que, embora proceda como uma criança mais crescida, ainda não tem nem a memória nem o discernimento próprios de uma criança mais crescida. Simultaneamente, exige companhia, gritando zangada quando fica sozinha e necessitando cada vez mais da presença constante da mãe ou da pessoa que trata dela para estar entretida. Aumenta grandemente a sua influência no ambiente que a rodeia e desenvolve sentimentos de ansiedade provocados pelo possível afastamento da mãe e pelo desconhecido. As suas angústias podem ser causadas pelo desenvolvimento da capacidade de conhecer e diferenciar, que surge por volta do ano.

Com esta idade, a criança sabe perfeitamente distinguir os pais, especialmente a mãe, do resto das pessoas que a rodeiam, e o seu afeto por elas traduz-se numa preocupação perante a suspeita de um possível afastamento. Progressivamente, começa a relacionar acontecimentos e a ter uma certa memória. Nesta fase, costuma relacionar determinadas situações com a certeza de que a pessoa que trata dela se afastará de si nesses momentos. E típico que chore desesperadamente quando é posta na cama porque associa essa situação à separação dos pais e não à possibilidade de ir dormir um sono tranquilo.

Sempre que possível, convém evitar situações de protesto ansioso. Embora resista a ficar sozinha, é preferível não a enganar, saindo por exemplo do quarto quando ela está distraída. Está provado que a criança sentirá menos ansiedade se o pai ou a mãe lhe disserem de uma forma simples que vão sair, mas que voltarão depressa e que ela não ficará sozinha. Nos últimos meses que antecedem o primeiro ano, a ansiedade aumenta para atingir o seu ponto máximo por volta dos doze meses.

Nesta idade, a criança relaciona-se melhor com pessoas que não se aproximam dela bruscamente. Esta reação é perfeitamente razoável, pois é fácil de imaginar a surpresa e o susto de qualquer adulto não o tímido ao sentir-se abraçado na rua por um desconhecido; a sua sensação pode ser parecida à da criança que é instigada pela mãe a ir ao colo de alguém que não conhece. Para o bebé é importante identificar pessoas e ambientes conhecidos. Se tiver que se separar da mãe convém que continue no seu meio familiar com uma pessoa que conheça e goste.

No bebé de um ano, é muito evidente o sentimento de individualidade e a capacidade para tomar decisões, interessando-se cada vez mais pelo seu meio ambiente, pelos adultos que o rodeiam e pela vida do dia-a-dia. Progressivamente, o comportamento imitativo torna-se extensivo a outras pessoas para além da mãe. Continua a gostar de brincar sozinho e entra em competição com outras crianças para conseguir o controlo e posse dos brinquedos. Muitos dos problemas desta idade provêm do facto de se pretender atribuir à criança uma compreensão muito maior do que aquela que realmente tem.

A criança não entende e a mãe não entende que ela não entende! Entre os doze e os dezoito meses, progride na linguagem e entre os dezoito e os vinte e quatro meses começa a indicar, através de palavras soltas, que quer fazer chichi, sendo possível ajudá-la sem que esta aprendizagem pressuponha um grande esforço para a criança. Não se deve esperar que já tenha o controlo do seu corpo, pois ainda está a preparar-se para tal, lutando também para aumentar a sua possibilidade de influir sobre o que a rodeia. São frequentes as birras à hora da refeição e ã hora de dormir e mais tarde quando é colocada no bacio. A criança exige respostas imediatas aos seus desejos e reage com birras quando vê os seus esforços frustrados.

Os pais devem aceitar este comportamento como um processo de aprendizagem perfeitamente natural para enfrentar as frustrações. Esta aprendizagem inicia-se com o nascimento, mas a criança mais crescida é mais consciente dos seus direitos do que o lactente, além de ter um reportório comportamental muito maior para exprimir e conseguir os seus objetivos. A criança de um ano é um ser fascinante, que muda rapidamente os seus hábitos de bebé para começar a crescer.

Esta fase, além dos momentos gratificantes, tem também momentos difíceis, pelo que deve ser vivida de forma descontraída e calma, uma vez que as constantes exigências emocionais e os cuidados físicos permanentes que a criança requer podem tornar-se esgotantes e desesperantes, e muitos pais podem sentir-se cansados e irritados por terem que enfrentar diariamente a luta que a criança trava pela sua independência . E necessário procurar um equilíbrio entre dependência e independência que permita à criança desenvolver o crescente sentido de si própria sem causar uma sensação de frustração naqueles que a rodeiam.

Estabelecer normas coerentes, previsíveis e razoáveis que tenham em consideração as necessidades da criança e dos pais é um objetivo básico nem sempre fácil de conseguir. É preciso recordar que a criança se assusta frequentemente com a intensidade da explosão da sua ira e com a dos seus pais. E importante que os adultos transmitam modelos de comportamento que sirvam à criança como ponto de referência para controlar a ira e a cólera. Se um pai perde o controlo em frente da criança não a está a ajudar mas sim a aumentar a sua confusão e a provocar o aparecimento de birras incontroladas.

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