Começar a falar - Doutor das Crianças - Guia Médico

11 Abril 2018
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Nesta fase, a criança já consegue expressar-se através de algumas palavras. É eletivamente independente e, simultaneamente, tenta imitar as atitudes dos adultos que a rodeiam. No período que decorre entre os dois e os três anos, torna-se cada dia mais sociável; começa por observar as atividades dos que a rodeiam, depois tenta imitá-las e por fim partilhá-las.

A criança de dois anos pode parecer mais crescida do que é e frequentemente são-lhe exigidos comportamentos e atitudes para os quais ela ainda não está preparada. É habitual que a mãe tente raciocinar com ela para conseguir que lhe obedeça em determinadas situações que para ela são evidentes, mas que a criança ainda não entende. Um exemplo clássico do que acabei de referir é o da mãe que tenta, sem êxito, que o filho não brinque com os objetos que não são destinados para tal! Como ele não percebe, volta a tentar pegar-lhes uma e outra vez, apesar de a mãe insistir que não o faça. Com esta idade, a criança é incapaz de distinguir um brinquedo autêntico, quer dizer, aquilo a que os adultos chamam brinquedo, de um objeto que a diverte e com o qual lhe apetece brincar. Não se trata de desobediência, simplesmente não entende a razão da proibição.

Chora para mostrar o seu desacordo quando a contrariam e expressar o sei descontentamento, já que sua linguagem ainda tem limitações. O facto de o fazer à mais pequena contrariedade irrita os adultos e é possível que voltem a ralhar-lhe. Nesta fase complexa, em que tenta ser independente, apesar de continuar a precisar de ajuda, são necessárias grandes doses de paciência e compreensão por parte dos adultos e a criança vê-se colocada em situações contraditórias que, com frequência, nem ela própria sabe como quer que se resolvam: quer comer sozinha, mas fá-lo de uma forma desajeitada e lenta.

O mesmo sucede no momento de se vestir e em muitas outras ocasiões. E fácil perder a paciência e repreendê-la; o problema é que, regra geral, quanto mais se reprime e contrária, mais “desobediente” ela se mostra. Parece-me muito importante não esquecer que quando a criança faz algo inadequado aos olhos dos adultos não o faz para os aborrecer, nem tem consciência que está errado, mas simplesmente porque isso a diverte.

Tentar explicar-lhe as coisas repetidamente pode acabar por a preocupar e criar um clima de discussão. É importante tentar dialogar, mas, demasiadas explicações do género não comas isto porque faz mal” ou “não pegues naquilo porque vais deixar cair“, dão-lhe a sensação de que existe a possibilidade de ocorrerem continuamente coisas más, estimulando-a a fazer o contrário daquilo que lhe propõem. Uma atitude equilibrada de consentimento e firmeza permitirá com que o dia-a-dia se torne mais fácil para ambas as partes: a criança e os adultos responsáveis por ela.

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