Incontinência urinária. Enurese - Doutor das Crianças - Guia Médico

31 Agosto 2015
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Incontinência urinária. Enurese - Incontinência urinária. Enurese



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E frequente as crianças terem pequenos problemas com o contra o dos esfíncteres. A maioria passa por uma fase em que não quer sentar-se na sanita e algumas atrasam-se no controlo definitivo da retenção da urina. Designa-se por enurese a situação em que não é possível conter o desejo de urinar, ocasionando uma micção involuntária. Pode acontecer que a criança consiga controlar-se durante o dia, mas não quando dorme; diz-se então que tem enurese noturna. A frequência do desejo de urinar varia de criança para criança; no entanto, entre os dois e os três anos, geralmente, existe um período de retenção de cerca de cinco horas, que aumenta rapidamente com a idade.

O controlo urinário voluntário começa por volta do ano e meio, quando a criança toma consciência de ter feito chichi. Qualquer controlo conseguido antes dessa idade não passa de um reflexo condicionado que desaparece quando varia o hábito que o criou. A criança começa por dizer que quer fazer chichi, mas sem dar tempo a ser colocada no bacio, pois, quando o diz, já está praticamente a fazer. A urgência diminui progressivamente e aos dois anos é capaz de avisar com tempo suficiente para poder ser colocada no bacio ou na sanita.

Por volta dos dois anos e meio; quando já é capaz de controlar a micção durante o dia. pode tirar-lhe a fralda, que passará a usar só à noite. Cerca dos três anos, se for posta no bacio antes de ir para a cama e duas ou três horas mais tarde, quando os adultos se vão deitar, pode conseguir uma retenção prolongada que permita tirar-lhe a fralda durante a noite,. Mais de setenta por cento das crianças é capaz de não molhar a cama antes dos três anos. Aproximadamente dez por cento molha-a até aos sete anos e cerca de cinco por cento até aos onze anos. Existem pelo menos três mecanismos envolvidos no controlo dos esfíncteres: a maturidade, a aprendizagem e o condicionamento.

A maturidade do sistema nervoso é importante e é frequente haver um padrão familiar: assim como há crianças que aprendem mais rapidamente a falar ou a andar, há as que são mais rápidas ou mais lentas a controlar os seus esfíncteres. Muitas vezes existem antecedentes familiares que explicam este atraso. O facto de a enurese ser mais frequente em gémeos que provêm de um só óvulo, ou monozigóticos, do que nos que provêm de dois óvulos diferentes, ou heterozigóticos, apoia a existência de um fator genético. A capacidade de armazenagem da bexiga está relacionada com a retenção c duplica entre os dois e os quatro anos.

A aprendizagem é importante e as crianças fazem-no em parte por imitação e simultaneamente por educação e treino. Quando a criança anuncia que quer fazer chichi é altura de começar a ensiná-la.

Se nesse momento não tiver oportunidade de o fazer na sanita, é muito possível que se atrase no controlo voluntário. O condicionamento também é útil. A criança cria um reflexo ai sentar-se na sanita. Se for obrigada a fazê-lo quando não tem vontade ou se for castigada quando não consegue fazer, associará a micção voluntária a algo desagradável que pode condicioná-la negativamente. O desenvolvimento do ego e da sua personalidade influenciam também o controlo dos esfíncteres.

Cerca dos dez meses o bebé repete as “gracinhas” que sabe que os adultos acham peada e por vilta do ano dá início à fase negativa na qual se opõe sistematicamente a fazer alguma coisa quando é forçada. Assim pode acontecer, nesta fase, que quando se insiste em sentá-lo no bacio, não se obtenha o resultado desejado. Antes de completar o ano, o bebé deseja ardentemente chamar a atenção e é possível que peça para fazer chichi com frequência, unicamente para qua se ocupem dele, sendo difícil distinguir se de facto tem vontade ou se trata apenas de uma artimanha.

A atitude dos pais ou da pessoa que se ocupa dele é importante. Os castigos pecoces e a preocupação em conseguir um controlo sem qua a criança tenha atingido o grau de maturidade adequado são, com frequência, para além de inúteis, contraproducentes. A ansiedade e o sentimento de infelicidade podem provocar um atraso no controlo dos esfíncteres ou causar a perda do controlo já estabelecido. Os ciúmes, a insegurança e as alterações domesticas são muitas vezes responsáveis pela enurese, que é mais frequente nos rapazes e aparece sobretudo em crianças que se sentem desajeitadas e inseguras.

A perda temporária do controlo pode estar relacionada com alguma mudança nos hábitos da criança. Por vezes recusa-se a usar a sanita sem motivo aparente, mas na maioria dos casos o comportamento normaliza-se espontaneamente passados alguns dias.

A incontinência também pode ser causada por uma infeção urinária; neste caso, pode ser acompanhada de dor ao urinar e é sempre necessário consultar o médico.  A prevenção da enurese consiste essencialmente em lidar com a criança de acordo com o seu grau de desenvolvimento.

Sentá-la no bacio é um bom sistema, mas se ela resistir não deve ser obrigada porque pode provocar-lhe ansiedade. Tenha sempre em conta que pô-la a urinar deve ser um acto tranquilo para que dê resultado. Sente-a no bacio de manhã ao acordar, depois da sesta e quando chega a casa de um passeio. Se passados uns minutos não tiver feito chichi, deixe-a levantar-se.

A pessoa que se ocupa da criança deve tentar ajudá-la a chegar a tempo ao bacio para que ela possa, dentro do possível, responsabilizar-se pelas suas necessidades e sentir-se por-gulhosa pelos seus progressos. A fralda só deve ser tirada quando a criança já controla a vontade de urinar. Fazê-lo antes de tempo é inútil. Depois de ter prescindido da fralda durante o dia, tente tirar-lha à hora da sesta. A fralda da noite só deve ser tirada quando a criança acorda de manhã seca, depois de ter sido posta a urinar pelo menos uma vez, duas ou três horas depois de ter ido para a cama.

Não é conveniente adiar o tirar da fralda se a criança acorda seca de manhã. O mais importante para conseguir um controlo normal é não a forçar quando não tem vontade e não lhe ralhar quando tem um deslize e se molha. São necessárias grandes doses de paciência para ultrapassar esta fase difícil dos dois anos em que a criança está a aprender a controlar a urina. As medidas clássicas como restringir os líquidos, despertá-la durante a noite para a por no bacio, fazer-lhe lavar os lençóis que molhou ou utilizar aparelhos de estimulação com ruído e correntes, são métodos de duvidosa eficácia que não devem empregar-se indiscriminadamente porque podem chegar a ser contraproducentes.

Transmitir-lhe confiança, recordando-lhe que esta a crescer e que um dia será capaz de não fazer chichi enquanto dorme, é decisivo para o conseguir. Animá-la, dizendo-lhe que são coisas que acontecem a muitos outros meninos, pode ajudá-la a sentir-se mais relaxada perante uma situação que a preocupa mais do que a ninguém, embora seja incapaz de a remediar e aparentemente não utilize os meios que lhe indicam para resolver o problema. A mãe não deve fazer comentários sobre este assunto com outras pessoas na presença da criança e perante um incidente deve limitar-se a limpá-la. Num pequeno número de casos, a incontinência urinária pode ter como causa alguma doença, pelo que é conveniente que esta situação seja sempre discutida com o pediatra. Quando o controlo dos esfíncteres não se consegue de fornia natural até aos cinco anos, é recomendável consultar o pediatra.

Este avaliará a situação da criança e o seu ambiente familiar, dará as instruções que considere oportunas, insistirá em evitar os métodos violentos e avaliará a hipótese de fazer alguns testes, para despistar alguma doença, ou receitará alguma medicamentação ou apoio psiquiátrico.

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