O aparecimento de medos - Doutor das Crianças - Guia Médico

27 Abril 2015
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Medos da infância - O aparecimento de medos




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Durante o segundo ano de vida, a criança procura incessantemente uma independência cada vez maior, repudiando o poder que os adultos exercem sobre ela. Ao mesmo tempo procura constantemente o apoio e a proteção dos pais, sentindo um grande temor quando se afasta deles e quando está na presença de estranhos.

É difícil para os pais encontrar um equilíbrio adequado que lhe proporcione simultaneamente uma autonomia suficiente e a proteção que deseja e espera, sem esquecer que a sobre proteção, em determinadas circunstâncias, pode aumentar os seus temores, já que, por um lado, quando se contraria o seu desejo de independência, reage com ira e cólera, mas por outro lado, quando a sua necessidade de dependência e de aproximação aos pais é frustrada, sente ansiedade e medo.

Mostrar-se inflexível perante situações como a separação noturna, quando a criança está na cama porque são horas de dormir, pode provocar o aparecimento do medo de ficar sozinha na escuridão; de igual forma, se lhe transmitir uma sensação de dúvida ou culpa quando tenta deixá-la sozinha na cama. ela poderá pensar que de facto existe algum perigo!

Embora algumas crianças sejam mais ansiosas e medrosas do que outras, todas desenvolvem com maior ou menor intensidade um bom número de temores, o que não deixa de ser positivo, já que representa um mecanismo de defesa perante determinados riscos. Só quando os temores são excessivos, exagerados e provocam ansiedade, se tornam um problema.

Durante o primeiro ano, o bebé tem medo dos ruídos e mais tarde das pessoas que lhe são estranhas. A partir do segundo-terceiro ano, aparecem os temores provocados pela solidão, pela escuridão e também dos cães, dos fantasmas, etc. O medo do desconhecido é uma reação natural que deve ser avaliada a partir da perspetiva do bebé e não da do adulto.

O bebé não tem experiência e, logo, ignora o risco que pode existir em determinada situação, objeto ou animal que não tenha visto antes. Muitas atitudes dos adultos podem, sem o querer, infundir-lhe medo; por exemplo, quando se insiste no perigo que o fogo ou os carros representam ou quando, sem refletir, o ameaçam com a solidão, ou a escuridão. A sua timidez e a imaginação influenciam o aparecimento e a intensidade dos temores.

Á medida que vai adquirindo experiências e aprende a resolver determinadas situações desaparece alguns medos e aparecem outros quando são colocados em situações que ainda lhe são desconhecidas.

Quando o medo perante um facto concreto se intensifica e se torna crónico, é conhecido pelo nome de fobia; são medos que surgem mais por uma situação imaginada que por uma circunstância real. E inútil e contraproducente ridicularizar a situação ou pretender distrair a criança assim como é ineficaz ignorar os temores ou tentar aplacá-los tentando acalmá-la com explicações de adulto do género “Não há nenhum mal na escuridão” e de seguida apagar-lhe a luz. A criança necessita de segurança, proteção e tranquilidade e o temor para ela é algo real que deve ser respeitado.

Convém familiarizá-la, sem a forçar, com o que lhe provoca o medo e colocá-la em situações que lhe permitam ver outras crianças brincando ou em contacto com objetos que teme. A sua tendência para a imitação ajudá-la-á. Os medos e as fobias tendem a desaparecer espontaneamente à medida que aumenta a sua compreensão.

Na maioria dos casos, os temores desaparecem ao longo dos anos e só algumas crianças com temores exagerados, inseguras e, por vezes, com algum outro problema de comportamento, necessitam ser observadas pelo pediatra que decidirá se há necessidade de receber alguma ajuda especializada.

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